Três perguntas para Rodrigo Sanmartin Carlos

Por que o fechamento da Rua 7 para o trânsito de veículos é benéfico?
“Porque proporciona um novo espaço de convivência dos cachoeirenses com a sua cidade. O que estávamos vendo até agora, aos domingos, eram centenas de carros trancando uma via e prejudicando consideravelmente a mobilidade urbana. Existem reclamações pontuais quanto ao “fechamento”, porém os argumentos não se sustentam. É uma questão de tempo até que as pessoas renovem a mentalidade; ninguém é dependente do carro para ter lazer. Não há problema em estacionar a uma quadra da Praça José Bonifácio, pegar seu chimarrão e cadeira e caminhar até lá”.

Que soluções as grandes cidades estão buscando para seus problemas de trânsito?
“Em primeiro lugar, precisamos nos desvincular da ideia antiga de que trânsito é feito só de automóveis. Existe hoje, por todo o planeta, uma tendência urbanística de ‘devolver’ as cidades às pessoas, diminuindo o domínio dos carros sobre o espaço público. As cidades ditas ‘de primeiro mundo’ vêm restringindo cada vez mais a circulação de automóveis e estimulando outros modais, como é o caso do transporte coletivo e da bicicleta. Barcelona, Copenhague, Amsterdã, Paris, Buenos Aires, apenas para citar algumas, são exemplos nesse sentido. Porto Alegre tem vias fechadas ao trânsito de carros aos domingos e o que se vê nesses espaços são pessoas aproveitando o seu dia com muito mais qualidade de vida”.

Que ações poderiam melhorar os problemas de trânsito específicos da cidade de Cachoeira?
“Há muito a ser feito. Mas, como ciclista e motorista que sou, penso que é urgente e primordial implantar o que foi anunciado há 30 anos pelo prefeito da época nas páginas do Jornal do Povo: uma ciclovia que possibilite às pessoas circular com segurança com as suas bicicletas na cidade. Se prestarmos atenção, a cada dia aumenta a quantidade de pessoas em Cachoeira do Sul utilizando a bicicleta para seus deslocamentos habituais, por necessidade ou por opção. Uma via exclusiva para esse fim estimulará muito o uso de mais bicicletas, o que diminuirá consideravelmente os problemas de mobilidade que hoje enfrentamos pelo excesso de automóveis em circulação”.

Coluna 5 minutos, Jornal do Povo, 02 de Junho de 2012.

A UnB terá sua primeira ciclovia ainda em 2012

Alexandra Martins/UnB Agência

A empresa responsável pelas obras já foi contratada pelo GDF, responsável pelo Comitê de Mobilidade Urbana. Investimento será de R$ 3,4 milhões

Diogo Lopes – Da Secretaria de Comunicação da UnB

Mais de 12 km de vias exclusivas para bicicletas serão construídos na UnB. A contratação da obra foi publicada no Diário Oficial no dia 17 deste mês e faz parte do Plano de Mobilidade Urbana do Distrito Federal, que pretende criar um sistema cicloviário – que inclui ciclovias, ciclofaixas, calçadas compartilhadas e rotas ciclísticas – com 600 km de extensão até 2014. Até o momento, foram construídos 41 km de ciclovias no DF. A primeira fase do projeto, na qual a UnB está incluída, prevê a construção de 235 km de via. A Secretaria de Governo do GDF espera abrir editais para outros 200 km de malha cicloviária no segundo semestre deste ano.

Além desta iniciativa, o GDF planeja disponibilizar ciclofaixas de lazer em outras cidades, como ocorre no Eixão aos domingos, oferecer vagas de bicicletas em todos os edifícios públicos e realizar um estudo para informar vias recomendáveis para o tráfego de bicicletas, as chamadas rotas ciclísticas. No início do ano letivo, o GDF pretende lançar o projeto “Caminho da Escola”, em parceria com o MEC, que doará mil bicicletas para que alunos dos últimos anos do ensino fundamental e de todo o ensino médio possam ir para as escolas utilizando o veículo.

Queremos que o DF tenha uma concepção moderna de mobilidade e institucionalizar a cultura de convivência da locomoção, que integrem todas as áreas da sociedade”, afirma José Ricardo Bianco Fonseca, coordenador do Comitê de Mobilidade Urbana do GDF, que viabiliza o debate entre secretarias de áreas diversas como o turismo, a educação, a segurança pública e os esportes, além de setores da sociedade civil. O Comitê pretende oferecer à população, até a Copa do Mundo, um serviço de aluguel de bicicletas similar ao Bicing, de Barcelona (www.bicing.cat), que disponibiliza 413 estações de bicicletas como complementos aos transportes urbanos.

Luiz Filipe Barcelos/UnB Agência

CRÍTICAS – Uirá Lourenço, presidente da ONG Rodas da Paz, que estimula o uso de bicicletas e convivência harmoniosa entre ciclistas, motoristas e pedestres, considera o projeto interessante, mas faz algumas ressalvas. “Poderiam ser adotadas medidas de integração, que favorecessem a cultura do respeito por meio de campanhas de conscientização”, considera. “Dentro da UnB, ciclofaixas poderiam ser melhores se fossem acompanhadas de campanhas, redutores de velocidade e vagas para estacionar as bicicletas”.

A professora Maria Rosa Abreu, coordenadora do projeto de extensão da UnB chamado Cidade Verde, também acredita que iniciativa é interessante para a instituição. Mas pondera. “Como é um equipamento público, com dinheiro público, é preciso consultar a comunidade sobre o assunto”, afirma. “O campus da UnB é um lugar agradável, mas é preciso que a UnB dê o exemplo de mobilidade e respeite ciclista”. A docente explica que o plano cicloviário do Plano Piloto é de 1972 e nunca foi realizado. “É importante que nossas cidades sejam saudáveis, humanas e seguras”, afirma.

Reprodução

Fonte: Agência UNB

Ser rico e ter carrão é muito anos 90?

 

Outro dia, tomando café da manhã na padaria, encontrei um antigo colega de redação. Ele contou que estava envolvido em uma pesquisa sobre novas formas de se relacionar com a cidade. “E qual será o resultado dessa pesquisa?”, perguntei a ele, animada. “Uma campanha publicitária de carros, mas com foco nos jovens”, ele me respondeu.

Claro, fiquei desapontada. Vender mais carros é alimentar um modelo falido de mobilidade urbana que já saturou as vias da cidade. Mas, depois de refletir, concluí que o tal “público jovem” que seria atingido pela campanha JÁ SABE que as cidades estão saturadas de carros. E as empresas montadoras perceberam isso. A GM americana, por exemplo, encomendou uma pesquisa à MTV Scratch (órgão da emissora que realiza pesquisas e indicadores sobre o público jovem) para tentar entender como vender carros à geração nascida nas décadas de 80 e 90. A pesquisa, citada no excelente site The City Fix Brasil, perguntou aos jovens quais eram suas 31 marcas favoritas – e as de carros passaram longe das 10 primeiras.

No Brasil, a agência Box 1824 realizou uma pesquisa chamada O Sonho Brasileiro, em que tentou mapear o perfil dos jovens formadores de opinião da geração atual e seus anseios para o futuro. O padrão dos sonhos dos mais de mil entrevistados pelo país se divide assim:

  • 55% querem formação profissional e emprego (sendo que 24% desejam especificamente exercer a profissão dos seus sonhos)
  • 15% querem uma casa própria
  • 9% querem dinheiro
  • 6% querem constituir uma família
  • 3% sonham com bens de consumo específicos, como carro, moto ou eletrodomésticos

Curioso, não? O carro, que representava o sonho da liberdade para a geração anterior só está nos anseios de 3% dos jovens atuais. A pesquisa mergulhou na história para tentar entender como chegamos ao padrão atual.

A evolução do jovem
De acordo com essa mesma pesquisa, o perfil dos jovens e de suas aspirações foi evoluindo ao longo da história no brasil. Nas décadas de 50 e 60, os jovens buscavam liberdade de escolha e de expressão e, para isso, precisaram confrontar padrões sociais tradicionais e revolucionar costumes. A partir de sua conduta individual, e influenciados por movimentos de contracultura, enfrentaram os moralismos da sociedade. Esse período é marcado por sonhos idealizados.

Em seguida, a década de 70 foi a fase das utopias, dos mártires e das revoluções armadas. Em um Brasil sob ditadura militar, as gerações jovens foram muito influenciadas pela ideologia das revoluções socialistas e pelas lutas armadas contra as demais ditaduras latino-americanas. Os jovens eram movidos por um forte idealismo, com posturas ideológicas fechadas e acreditavam no confronto direto – o que os levou a aderir à luta armada e fez com que fossem, em muitos casos, reprimidos e torturados. O que movia cada jovem era o sacrifício pessoal pelo coletivo, era o sonho de um mundo radicalmente melhor após a revolução.

Quando, então, a ditadura começou a se amainar em direção à redemocratização, os movimentos estudantis foram perdendo sua força. Em paralelo, o país passou por diversas crises econômicas – batendo recordes históricos de inflação – até atingir maior estabilidade financeira com o plano real, em 1994. Os jovens das décadas de 80 e 90 bebem em uma nova influência: a ideologia norte-americana ‘Yuppie’ – individualista, imediatista e competitiva. Esses jovens passam a sonhar com o êxito profissional, o poder de consumo, sucesso e enriquecimento rápido. Deixam de se dividir a partir de ideias político-partidárias ou revolucionárias e passam a integrar inúmeros novos grupos urbanos.

E aí chegamos aos jovens dos anos 2000 e 2010. Em um Brasil muito mais estável economicamente, com o sétimo maior PIB do mundo, os jovens de hoje se deparam com mais ferramentas de ação à sua disposição – e muitos deles partem efetivamente para a ação, sem esperar que mais ninguém faça isso por eles. É uma geração que já nasce conectada ao mundo a partir das redes sociais e que se contrapõe ao individualismo dos pais. É gente que entende o risco de escassez dos recursos naturais do planeta e se apropria de discursos mais conscientes, responsáveis e sustentáveis.

O jovem de hoje
Para a geração atual, o Brasil não é o país do futuro, mas do presente. A pesquisa aponta que 89% dos entrevistados têm orgulho de ser brasileiro e 76% acreditam que o país está mudando para melhor. O jovens atuais se colocam como agentes diretos de microrevoluções. Em vez do individualismo e da busca pelo sucesso ou enriquecimento, é muito mais comum o pensamento que diz “meu bem estar depende do bem estar do outro”. A grande maioria, como mostram os dados citados acima, se preocupa em ter um bom emprego e uma boa formação. E 90% de todos os entrevistados disseram ter interesse em trabalhos que promovam o bem-estar social dos outros.

É nessa atual geração, segundo a pesquisa, que se percebeu um novo personagem: o jovem-ponte. O indivíduo que se relaciona com diversos grupos de influência e atua diretamente para modificar e melhorar a realidade ao seu redor.

Nesse atual panorama, a posse em si dos carros não é vista necessariamente como um problema pelos jovens de hoje. Mas deixou de ser almejada como sinônimo de liberdade – convenhamos: nada MENOS livre do que ficar preso em um congestionamento por algumas horas. Basear a mobilidade urbana de uma cidade no transporte particular feito em carros é insistir na ultrapassada lógica individualista da competição, uma ideia velha que, apesar de ainda nortear as políticas públicas atuais, está fadada à decadência.

Fonte: Planeta Sustentável
Notícia sugerida por TW.

Cresce 200% a utilização de bicicletas em São Paulo

A cidade que incorpora a bicicleta como meio de transporte, o pedestre e pessoas com deficiência, exibe qualidade. Essa incorporação pressupõe ações em áreas que mexem com a qualidade de vida das pessoas como calçadas, ruas, paisagismo, praças. Essa é uma das principais conclusões da discussão sobre mobilidade urbana/uso de bicicletas promovida pelo programa Sustentabilidade, no Terra TV.

Os convidados de Ricardo Young nesta terça foram o ativista do Grupo Transporte Ativo, João Lacerda, e a responsável pelo Departamento de Projetos Cicloviários da Companhia de Engenharia da Tráfego de São Paulo, Maria Ermelina Malatesta. Pesquisa realizada em São Paulo aponta crescimento de 200% nos últimos anos no uso de bicicletas.

Segundo Maria, os trabalhadores que mais utilizam a bicicleta como meio de transporte são os mais pobres 95% dos usuários são homens. Por isso, grande parte das rotas está na periferia (55 quilômetros).

De acordo com a especialista da CET, vem crescendo o número de acidentes entre motoboys e usuários de bicicletas. “Ainda assim, boa parte dos acidentes com bicicletas ocorre no meio das quadras e envolve veículos grandes. De 2009 a 2010, reduzimos em 20% esses acidentes. Estamos fazendo trabalho educativo com motoristas de caminhões“, explica Maria.

O ativista do Grupo Transporte Ativo, João Lacerda, chama a atenção para o fato de que quanto mais piora o trânsito na cidade, mais pessoas passam a usar bicicleta como meio de transporte. “Não acho que todo mundo vai andar de bicicleta, mas é preciso dar segurança e as pessoas precisam acreditar que estão seguras quando andam de bicicleta“, diz Lacerda. O ativista diz que quanto mais bicicleta na cidade, menor é número de acidentes. “As pessoas ficam mais acostumadas a lidar com seres vivos e o trânsito fica mais seguro“, explica.

Fonte: Terra