Protesto contra o despreparo de motorista de ônibus em Pelotas

Após um incidente ocorrido no sábado passado (14) com o ciclista Cristiano Borges, o mesmo relata o ocorrido e chama a atenção para que haja melhor preparação técnica e psicológica a profissionais que trabalham em empresas de ônibus, isto é, profissionais que trabalham diariamente no trânsito e que deveriam resolver situações como a relatada abaixo de forma racional e pacífica. Acompanhe o texto na íntegra!

Caros irmãos Ciclistas, segue abaixo, o texto que enviei para a empresa São Jorge, após incidente na tarde de sábado, 14/01.

Boa tarde
Chamo-me Cristiano de Moura Borges, sou Engenheiro Eletricista, professor no Instituto Federal Sul-rio-grandense, tenho 36 anos, resido em Pelotas e possuo CNH desde meus 21 anos, sem nunca ter me envolvido em nenhum tipo de acidente automotivo. À cerca de dois anos uso como meio de transporte alternativo e para esporte uma bicicleta do tipo Mountain Bike, na qual faço questão de utilizar sinalizadores dianteiros e traseiros, uso ainda capacete, roupas de ciclismo profissionais, que geralmente são coloridas, justamente para ser visualizado com facilidade no trânsito.

Como motorista à 15 anos, conhecedor do CTB, resolvi estudá-lo ainda mais profundamente a partir do momento em que assumi o ciclismo como esporte para melhora na qualidade de vida e como alternativa ao trânsito quase caótico de nossa cidade.

Neste sábado, dia 14 de janeiro, por volta das 17 h, quando voltava da praia do Cassino, com a bicicleta devidamente sinalizada utilizando –como sempre– capacete, que também apresenta sinalizador luminoso; enquanto circulava pela direita da pista, guardando certa distância dos veículos estacionados, fui surpreendido na rua Tiradentes, que inclusive tem duas vias, entre as ruas XV de Novembro e Anchieta por um ônibus de sua empresa, o de número 34.

O motorista além de não respeitar distância mínima de 1,5 m (Art. 201 do CTB), e segundo testemunhas, aproximou ainda mais o veículo, assim, foi alertado, por mim, da minha presença e pouco espaço para transitar, com uma batida, com a mão espalmada, de luvas para ciclismo (palmas estofadas), na lateral de seu veículo, o que fez com que o mesmo parasse o grande veículo, no meio da rua, abrindo a porta e gritando, diante de todos os passageiros que ali se encontravam que eu devia “tirar essa m… do meio da rua”.

Surpreso pela agressão verbal, falei ao mesmo sobre a distância regulamentar de 1,5 m e que isto está previsto no Código de Trânsito Brasileiro que preconiza em seu § 1º, do art. 29 que os veículos de maior porte serão responsáveis pela segurança dos menores e os motorizados pelos não motorizados e todos, pelos pedestres.

Com isso, iniciou-se uma discussão, pois o mesmo chamou-me de “palhaço” ao que devolvi que o mesmo devia se informar e ler o CTB e prestar mais atenção ao trânsito, pois era perfeitamente possível a divisão da pista entre seu grande veículo e o meu. Este por sua vez, fechou a porta e arrancou.

Na sequência, enquanto conversava com meus companheiros, o motorista viu-me pelo espelho retrovisor e tomou esta conversa por insulto, parando novamente, com rispidez, o coletivo, novamente no meio da rua, abrindo a porta e batendo, mesmo que de leve sobre o capô do motor do ônibus com o martelo de madeira que é usado para verificar a pressão dos pneus. Desta vez, tomei isto como ameaça e com o dedo em riste avisei-o que a empresa seria informada da forma como vinha se portando e que não me estenderia com este tipo de assunto com uma pessoa que demonstrava descontrole e que agia de forma inadequada para um profissional do trânsito e para uma pessoa que lida diretamente com o público; rapidamente a porta foi fechada quase prendendo meu braço que neste momento apontava-lhe, manifestando minha indignação.

Assim que o veículo partiu, continuando pela rua Tiradentes, converti a esquerda pela rua Félix da Cunha, dirigindo-me à minha casa.

Pensei em registrar ocorrência em delegacia, mas não acredito que estendendo ainda mais este desencontro de ideias possa eu colaborar para um trânsito mais humano e menos violento.

Durante muito tempo fui usuário dos coletivos de sua empresa, sendo sempre bem atendido e tratado no caminho do trabalho, tenho certeza que este é um caso totalmente isolado, mas sinto-me na obrigação de comunicar-lhes o fato, para que num futuro, próximo, a grande Empresa São Jorge possa auxiliar seus funcionários a lidar com este tipo de evento; para que estes, utilizando-se de direção defensiva e boas maneiras, como julgo ser de praxe da maioria dos funcionários desta empresa, possam afastar-se de acidentes e/ou outros transtornos.

Att.
Cristiano de Moura Borges.
Fonte: PedalCurticeira