Sexta-feira 13 – Bicicletada do Espanto

Nessa Sexta-Feira 13, as pessoas da comunidade de Cachoeira do Sul vão estar reunidas para causar espanto. É a primeira bicicletada à fantasia desde o início das atividades do coletivo comunitário de bicicletas, o cicloativado. A ideia já havia passado pelo imaginário de alguns voluntários do grupo e a sexta-feira 13 tornou-se o mote adequado para a atividade.

Os superticiosos alegam que a sexta-feira 13 é o dia do azar, mas para as pessoas com bicicletas de nossa cidade, será uma noite de festividades e diversão num passeio descontraído pelas ruas do centro. A saída será no espaço cicloativado, na Praça José Bonifácio (Praça das Tipuanas), às 19h. O ritmo é de passeio, com um percurso leve e compatível para crianças, jovens, adultos e idosos.

O dia 13 de Janeiro também foi uma sexta-feira, porém, com as férias e o carvanal, as atividades do coletivo entraram no ritmo de descanso. Além do mês de Abril, em Julho também uma nova Bicicletada do Espanto, tornando a pedalada uma atividade costumeira dessa data.

Relato: Bicicletada Morcego

Na madrugada, próximo ao final da bicicletada, alguns ciclistas ainda tiveram disposição para levantar suas bikes.

A noite era de lua cheia, pouco a pouco o grupo, surpreendido pela boa adesão, reuniu-se num dos pontos históricos/turísticos da cidade e partiu animado, tomando as ruas para si. O que poderiam esperar de uma pedalada que na madrugada?

Os momentos de fraternidade e união ficaram evidentes com a parada mecânica logo na saída. Uma caixa de direção bem apertada com ferramentas improvisadas e lá foram as bicicletas novamente, escalando a cidade com a força de seus pedais, compartilhando sorrisos e boas conversas.

Sem um trajeto definido, mas repleto de admiração proporcionada por outra experiência com as ruas, com o silêncio, os cheiros e principalmente, sentindo o sabor da novidade, com a brisa a lamber os cabelos e um sopro de ideias por dias e noites de liberdade.

O coletivo comunitário de bicicletas de Cachoeira do Sul, o cicloativado, sugere que você experimente a sua cidade, seja ela qual for, de modo semelhante ao que ocorreu nesta pedalada: as mesmas ruas que você vê todos os dias dominadas por carros estarão, na madrugada, vazias e silenciosas. E com esta tranquilidade, elas podem se doar gentil e generosamente para as pessoas. Como, aliás, deveria ser sempre.

#FMBPOA: relato segundo dia – Chris Carlson – Nowtopia

Chris Carlson na Redenção

Se eu conseguisse me mexer, eu teria chorado. As palavras de Cris Carlson sobre o seu entendimento de mundo, sobre sua visão do presente e principalmente, na sua determinação em acreditar e realizar pequenas transformações cotidianas, são capazes sim de transformar o mundo!

Resolvi fazer a gravação em áudio daquele momento, mais do que um registro, uma forma de pertencimento e apropriação daquilo que fará parte do meu léxico por algum tempo. Enquanto ele falava sobre os exemplos de mobilização, resistência e enfrentamento ao grande capital, eu concordava com uma das mãos, já que era impossível aplaudir com as duas.

A fala não se estendeu, mas foi incrível ter uma aula pública, num parque, com uma lua linda e com uma ótima sensação de que minhas escolhas, minhas ideias e minha vontade não estão desconectadas ou isoladas no mundo, ela fazem eco e se encontram com as vibrações pulsantes do pensamento e das ações de pessoas presentes naquele encontro.

Obrigado Cicloativado, Massa Crítica, FMB e Chris Carlson. O presente nos pertence!

Para fazer download dos arquivos e usá-los livremente, estão em domínio público no Archive.org

FMB: oficina “Passo-a-passo: Agitando um coletivo de bicicletas numa cidade do interior”

A medida em que o horário da oficina se aproximava, meu coração palpitava mais forte, principalmente porque eu não tinha muita certeza se a apresentação estava finalizada. Resolvi abstrair um pouco dos meus medos e participar da oficina sobre Comunicação Não-Violenta, uma vez que é um assunto que me interessa.

Com um certo atraso e com muita colaboração da organização do fórum, conseguiu-se projetor e computador para a apresentação. Havia cerca de 30 pessoas, comecei a despejar informações com sorrisos, piadas e um pouco de non-sense. Foi tudo muito bem, no final haviam quase 50 pessoas e recebi até aplausos e um origami :D

Com a apresentação pude perceber que o nosso coletivo está sintonizado com o exercício de um mundo livre, autônomo e ciclável. Algumas pessoas destacaram o caráter social das atividades que realizamos em Cachoeira do Sul, foi estimulante. Gostaria que todos os membros de nosso grupo pudessem estar presentes, ainda mais quando o Chris Carlson falou depois da Massa Crítica e bateu totalmente com nossos princípios e ideais.

Estamos em busca de uma batida nova, seja ela perfeita ou imperfeita, mas a nossa batida! Vamos em frente!

FMB: relato do segundo dia – Massa Crítica

A Massa Crítica que aconteceu durante o Fórum Mundial da Bicicleta será uma experiência marcante na minha vida pelos próximos muitos anos. Fiz amigos, ri muito, cansei, pedalei mais, curti a paisagem e me emocionei em alguns momentos. O clima de cooperação, camaradagem e alegria em celebrar/protestar em nome de uma nova forma de organização e entendimento daquilo que ousamos chamar de cidade.
 
Me encontrei com o grupo de Manaus, Canoas e Cachoeirinha que participaram da oficina do cicloativado, decidi pedalar com eles e fiz isso enquanto meus pulmões aguentaram. Na metade do percurso comecei a fazer parte do grupo de trás, mas ainda assim, um pessoal cheio de ânimo e com músicas muito divertidas.
 
O trajeto passou pela cidade baixa, centro histórico, ipiranga, goethe, moinhos de vento, redenção, viaduto conceição, na comunidade onde o menino Gustavo foi atropelado e finalizando no monumento ao expedicionário. Sei lá, talvez uns 20km, sei que nunca pedalei tanto na minha vida num dia só, mas sei também que nunca foi tão divertido ser parte de algo que acredito!
 
Mais amor!

Relato da Massa Crítica de Cachoeira do Sul (por TW)

Escrevo ainda sob os efeitos e o quase-domínio da forte emoção pelo que eu vivenciei hoje. Melhor assim.

No início deste ano, uma pessoa que para mim é uma referência nos lançou por email, como flechas, as seguintes palavras amargas mas verdadeiras:

“vejo o mundo inteiro e os arredores funcionando, empolgado, vibrante. e nós aqui, cachoeira do sul, apáticos, cabisbaixos e desmobilizados.”

Pois o que eu vi hoje é que uma cidade “funcionando, empolgada, vibrante” é possível, mesmo que ela seja Cachoeira do Sul. Sim, eu enxerguei 32 células pulsantes, com suas camisetas brancas pedalando em seus veículos e, em cada olhar, pude perceber um ânimo diferente, que ainda não tinha verificado em nenhuma das massas anteriores.

Parece que a nossa expectativa – gigantesca nesses últimos dias, estou errado? – ganhou de presente um evento ainda maior do que ela.

Não foi apenas um passeio, não foi meramente uma pedalada. Não, o ATIVISMO estava pulsando ali, talvez motivado pelo clima que se instaurou desde a preparação lá na praça: todo mundo enchendo balões, escolhendo plaquinhas com frases para prender nas bikes, recebendo panfletos que depois seriam distribuídos na sinaleira, preparando-se ansiosos com seus apitos. (Aliás, acho que isso foi de fundamental importância para gerar um clima comunitário e ativista no grupo, e penso que devemos repetir nas próximas massas).

Meus ouvidos vibraram ao ouvir os gritos de “bicicleta!!!” e, em resposta, o coro de “um carro a menos!!!”

Iluminada por Deus e bonita por natureza é a pessoa que teve a feliz ideia de fixar uma bicicleta branca num poste. No mesmo momento, outrxs distribuíam panfletos a motoristas, que nos agradeciam gentilmente com sorrisos. É bem verdade que, com os sorrisos e os lindos olhares das nossas ativistas, não tem cara amarrada que resista.

Agora mesmo, acabo de ficar sabendo que um guri dos seus 10 ou 12 anos – que implorou ao pai para ir na massa mas não pôde porque era o dia do seu aniversário – declara que ouvir os ciclistas cantarem parabéns a você, na frente da casa, foi o melhor presente que poderia ter recebido (e quando escrevo isso meus olhos embaçam, droga!).

Enfim, repito o que disse em resposta àquela querida pessoa que acusou os cachoeirenses – com razão – de apáticos e desmobilizados: vamos em frente, de espinha ereta e coração tranquilo!

tw

Espaço Cicloativado: como recebemos o quiosque a primeira vez

O coletivo comunitário de bicicletas de Cachoeira do Sul, o cicloativado, em Julho de 2011 conquistou através de sua mobilização, um espaço junto aos quiosques da praça José Bonifácio, no centro da cidade. O local estava sem utilização a quase 11 anos e encontrava-se em péssimas condições.

O grupo de cicloativistas e membros da comunidade uniram-se em mutirões de limpeza e pintura do espaço, que teve sua inauguração no Dia Mundial Sem Carro de 2011.

Recentemente, o coletivo realizou o empréstimo do quiosque para a Escola de Samba Expresso. Os membros desse coletivo decidiram em reunião, realizar uma nova série de vídeos no momento em que for realizada a devolução, afim de registrar e documentar o zelo de todas as partes envolvidas na manutenção deste espaço.

Acompanhe os vídeos dos primeiros mutirões:

Nota Pública: Não temos representantes

O Cicloativado é um coletivo comunitário, autônomo e anônimo de bicicletas em Cachoeira do Sul, não temos representantes, tampouco queremos ser representados por qualquer pessoa. Os membros do coletivo dividem as tarefas de forma voluntária, assumindo de forma individual as responsabilidades envolvidas em cada atividade, mesmo contando com a ajuda e suporte da coletividade para a realização de suas práticas.

Como informado em nossa carta de princípios, este coletivo trata-se apenas de bicicletas e nada além de bicicletas nos interessa. Não temos interesse em repercussão desnecessária de mídia de nossos fatos, não buscamos representar uma classe/categoria, não somos políticos ou mesmo politizados, por esse motivo adotamos o princípio da neutralidade coletiva, respeitando sempre a opinião individual de nossos membros.

Nosso coletivo rechaça qualquer tentativa de utilização de episódios, fatos, iniciativas, ações e atividades nas quais participamos, como coletivo, de maneira direta ou indireta, para formar polêmicas, vendas de jornais, minutagens de rádio e tv, ataques pessoais ou objetivos partidários e eleitoreiros de qualquer pessoa, instituição, partido, corporação ou organização.

nota de adiamento

Olá pessoal, como você deve ter percebido, São Pedro não anda de bicicleta e tivemos que adiar o BikeHour (que acontece todas às sextas) e nossa Feira de Trocas de Discos de Vinil programada para os dias 8 e 9 de outubro.

A Feira de Trocas vai ocorrer no próximo final de semana, dias 15 e 16 de outubro e o BikeHour fica mantido sempre às sextas, 18h.) Ficamos na espectativa que a janela metereológica que faz chover na feira do livro nos dê uma trégua.

Agradecimentos ao sr. pernalonga e ao brinquedo chucky pelas piadinhas sobre o tempo contidas nesta nota. Obrigado.

Feira do Livro: venha pedalando

“A bicicleta sem dúvida, deve sempre ser o veículo de romancistas e poetas.” Chistopher Morley

O coletivo comunitário de bicicletas de Cachoeira do Sul, o cicloativado, convida a população para ao visitar a 27ª Feira do Livro, utilizem a bicicleta, conheçam o espaço disponível para estacionamento, totalmente grátis, seguro e apropriado para as “magrelas”.

Os 10 paraciclos públicos recém instalados na Praça José Bonifácio, próximo da quadra poliesportiva, tem capacidade para 20 bicicletas e estão totalmente disponíveis para utilização antes, durante e depois da feira.

Neste primeiro final de semana do maior evento cultural da cidade, o cicloativado realiza uma feira de trocas de discos de vinil entre curiosos, apaixonados e colecionadores. No sábado das 10h às 20h e no domingo, das 15h às 20h.

Bicicleta é cultura!